quarta-feira, 26 de setembro de 2012


Não ha lugar  para poesia
Não se pode  desenhar na paz da lua
sem que nos aborreçam os versos
Não há lugar, certo, para a poesia calada

Não há paz onde se possa sonhar
sem que nos reconheçam sabe-se lá de
onde ...
ou nos  confundam em remelexos impuros
Nos calam, e, sumimos mudos aturdidos

Não há lugar para poesia ou pequenos trechos
aos quais, somente, nos leve a fazer o que nos
proponha os instintos

Os aprendizes da arte de escrita correm a todo
momento das aporrinhações  aparições que nos
fazem pisar na terra
somos da lua daquele vinhedo doce onde moram
as letras que formam os versos

Definitivamente não há lugar para poesia, absoluta,
seguir seu curso sem lesões inoportunas
Onde andariam as damas que apenas liam sobre o
amor sem falar demais e nela, a poesia, encontrar a
paz
Eu preciso de um retrato de mulher ilegível para supor,
tolamente, que somente me leia

sulla fagundes

terça-feira, 25 de setembro de 2012


Dance  comigo

Dance e sinta a canção fluir
No ar, ela voa deixando um perfume
de amor
Dance comigo
Esqueça os sapatos embaixo da mesa

Dance  comigo
Supunha que o tempo não passa
Não há motivos nem espinhos ao chão
Então venha... dance comigo

Sinta as  notas soltas a  saltar  apenas
dance comigo ...
Não feche os olhos a luz baixa não me
permite olha la

Venha  suspensa que te conduzo pelo
salão a vida inteira...
Sem pisar nem uma  vez, sequer, nos teus
pés

Venha dance comigo como se nunca tivesse
dançado...  cole,  calada, teu  corpo ao meu,
nas eternidades  dos salões  de  dança
Enquanto a música  não nos engana ...
Venha dance  comigo

sulla fagundes


Corre o poeta  cheio de versos
nos  bolsos
Transbordado de  sonhos
Escorrendo poesias pelos poros

Suando  poemas, delirando ....
Era  sua  febre  sofrer
Avalanche, turbulência,  era delirado
Febril seu modo,  mudo, de sentir

Com a barba  por fazer  rabisca
Sem fome, sem nome ,sem ela  sem nada
a temer
Com cede de falar, calado, faz-se esmirrado
Ante a madrugada que o faz  latente, maluco,
o mais demente  ...
O faz, simplesmente, poeta

sulla fagundes


segunda-feira, 24 de setembro de 2012


Havia uma  vila  de  risos
Para cada parada triste
Haviam motivos mágicos
Enfeites como feitio

Havia mascaras a venda
E, nas varandas lírios vermelhos
Era a reação da poesia ali, na vila
Envolta da vila queimavam labaredas

Cada ser humano, era humano
Tomado de tanta emoção, criavam ...
E na arte de  criar, ainda doavam corações
ao descrentes

Havia fé no lugarejo a solidão do poeta era
falsa
Escreviam canções de ninar, ninar poetas
A poesia, atormentada, não saia a noite sem
adereços

Nos dedos folhetins, coloridos, de versos antigos
De negro vestida, saia a pecar e  beber nos bares
da pequena vila vizinha chamada saudade
Pequenos infernos a procura de culpas e desculpas
para que o poeta voltasse a ser triste ...

A poesia doente, saudosa, da tristeza  do poeta
tornou-se pintura
E nela, lindas molduras esculpidas de estrelas ...
Na lua, a grande exposição,vernissage, de canções
inacabadas

sulla fagundes


Eu recorro  a  fraqueza de um irmão
Para provar a mim, que ainda sei ser
humana
Estendo a mão para saber que tenho
força
Me limito a chorar para saber se ainda
posso escrever
Temo a ilusão do ser  livre, e, num canto
me encolho, por medo de não saber  me
desenhar
Eu preciso  das  fraquezas, apenas para
os trechos de textos que preciso escrever
Mantenho a mania das insonias
por temer meus dias iguais
Necessito, confesso, da madrugada para
poder desenhar os momentos que invento


sulla fagundes


quinta-feira, 13 de setembro de 2012


MAQUIAGEM

Para que serve a maquiagem?
Deveria ser para mascarar os erros
Esquecer as bobagens e remorsos
Deveria  saudar a ilusão

Para que pressa, em andar de cara limpa?
A maquiagem serve para que tu te envolvas
E, como menina, viva num  faz de conta
Indo as compras, sem se importar com que
conto e choro, teve para que a moeda viesse

Enfrente ao espelho, renda-se em louvores e
as cores, que trazes na bolsa a embalar,  os
moços e moçoilas
Maquiagem  tua, na calma tirana,  traz na face
para desconsolo homens entre goles nos bares

Revela, em carmim, nos lábios, gelados, um riso
mais que sarcástico
O quanto a vida judiou-te desde tão cedo, mas o
costume do pecar em desmazelos
Te custa mascarar desde  então

sulla fagundes

terça-feira, 11 de setembro de 2012


ILUSÃO INSENSATA

Ilusão  insensata
Deveria ser um trem cheio de tempo
Estação de medos
Nos pés descalços, nada de chão

Foi bom o trem, cheio de troços de amor
Era  de acordar,  em lugar  de sonhar
Deu sol ,naquela madrugada de meio dia
Não restaram nem em  si  sem lugar

Era de passar  rindo de chorar
Interior de ilusão cheio ruídos em pleno silêncio
Foi culpa das estrelas que dormiram cedo
Foi o sonhador em aplausos tesos

Era  uma cena que se fez  quando a cena se foi
Era  de  olhar e  escarnecer
Um jardim, distraído, sem um espinho de  flor
Foi cair da nuvem que passava entre vitrais

Era  correr  de  boa fé quando caiu as cortinas
Cético sem religião
Eram todas as notas sem formar canção

sulla fagundes