sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Pousando na flor do acaso
Casualmente a flor acontece
Na poesia desenha-se
Abre-se em uma estação desejosa
No inverno seca, e, ao chão despetalada
Aduba os versos a sua espera
E, o poeta jardineiro, cuida que ressurja
em poesia para a próxima estação
No desenhar de cada poesia, nasce absoluta
É sempre flor a mulher amada, e, o homem amado
as trás nas mãos na conquista
Flor é chamada num carinho, pelo caminho nas varandas
Nos jardins, da poesia, a flor colore ...
Cada tentativa de escrita a flor entre as pernas da
amada enlouquece ...
Emudeço mesmo na língua morta da escrita
A flor solitária me encanta mais que os ramalhetes
fartos
Flor é assim chamada na essência
No seu espinhar, ainda bela, altiva de caule maduro
É ainda a mais desejada ao murchar
Ela por ser fêmea abre-se quando tocada, como a
música a retoca-la
Canção, flor e poesia, ainda falam mais de amor como
artifício de poeta,
Que a própria madrugada mesmo inundada de estrelas
sulla fagundes
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Era loucura minha gueixa
Sem queixas fazia motivos
Para me levar as festas
Sem motivo algum e submissa
Acalentava, alimentava minha ira
Era loucura minha gueixa
Entre mimos, lindos, fechava ainda
mais os olhos ...
Abria o que eu mais queria
Era seu dom ,maior, fingir-se minha
Meu maior delírio
Meiga deitava-se a mesa a meu pedido
Me fazia as vontades mais tiranas ....
Era uma loucura minha gueixa
Pura que me enojava o fingimento ...
Gueixa tornara-se para mim ...
Era minha fantasia aquela pintura
Porcelana pura ... a mais impura daquelas
noites...
Era uma loucura
Sua falsa timidez por ser tão atriz
com tanto ciúme jamais a beijei
sulla fagundes
Não ha lugar para poesia
Não se pode desenhar na paz da lua
sem que nos aborreçam os versos
Não há lugar, certo, para a poesia calada
Não há paz onde se possa sonhar
sem que nos reconheçam sabe-se lá de
onde ...
ou nos confundam em remelexos impuros
Nos calam, e, sumimos mudos aturdidos
Não há lugar para poesia ou pequenos trechos
aos quais, somente, nos leve a fazer o que nos
proponha os instintos
Os aprendizes da arte de escrita correm a todo
momento das aporrinhações aparições que nos
fazem pisar na terra
somos da lua daquele vinhedo doce onde moram
as letras que formam os versos
Definitivamente não há lugar para poesia, absoluta,
seguir seu curso sem lesões inoportunas
Onde andariam as damas que apenas liam sobre o
amor sem falar demais e nela, a poesia, encontrar a
paz
Eu preciso de um retrato de mulher ilegível para supor,
tolamente, que somente me leia
sulla fagundes
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Dance comigo
Dance e sinta a canção fluir
No ar, ela voa deixando um perfume
de amor
Dance comigo
Esqueça os sapatos embaixo da mesa
Dance comigo
Supunha que o tempo não passa
Não há motivos nem espinhos ao chão
Então venha... dance comigo
Sinta as notas soltas a saltar apenas
dance comigo ...
Não feche os olhos a luz baixa não me
permite olha la
Venha suspensa que te conduzo pelo
salão a vida inteira...
Sem pisar nem uma vez, sequer, nos teus
pés
Venha dance comigo como se nunca tivesse
dançado... cole, calada, teu corpo ao meu,
nas eternidades dos salões de dança
Enquanto a música não nos engana ...
Venha dance comigo
sulla fagundes
Corre o poeta cheio de versos
nos bolsos
Transbordado de sonhos
Escorrendo poesias pelos poros
Suando poemas, delirando ....
Era sua febre sofrer
Avalanche, turbulência, era delirado
Febril seu modo, mudo, de sentir
Com a barba por fazer rabisca
Sem fome, sem nome ,sem ela sem nada
a temer
Com cede de falar, calado, faz-se esmirrado
Ante a madrugada que o faz latente, maluco,
o mais demente ...
O faz, simplesmente, poeta
sulla fagundes
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Havia uma vila de risos
Para cada parada triste
Haviam motivos mágicos
Enfeites como feitio
Havia mascaras a venda
E, nas varandas lírios vermelhos
Era a reação da poesia ali, na vila
Envolta da vila queimavam labaredas
Cada ser humano, era humano
Tomado de tanta emoção, criavam ...
E na arte de criar, ainda doavam corações
ao descrentes
Havia fé no lugarejo a solidão do poeta era
falsa
Escreviam canções de ninar, ninar poetas
A poesia, atormentada, não saia a noite sem
adereços
Nos dedos folhetins, coloridos, de versos antigos
De negro vestida, saia a pecar e beber nos bares
da pequena vila vizinha chamada saudade
Pequenos infernos a procura de culpas e desculpas
para que o poeta voltasse a ser triste ...
A poesia doente, saudosa, da tristeza do poeta
tornou-se pintura
E nela, lindas molduras esculpidas de estrelas ...
Na lua, a grande exposição,vernissage, de canções
inacabadas
sulla fagundes
Eu recorro a fraqueza de um irmão
Para provar a mim, que ainda sei ser
humana
Estendo a mão para saber que tenho
força
Me limito a chorar para saber se ainda
posso escrever
Temo a ilusão do ser livre, e, num canto
me encolho, por medo de não saber me
desenhar
Eu preciso das fraquezas, apenas para
os trechos de textos que preciso escrever
Mantenho a mania das insonias
por temer meus dias iguais
Necessito, confesso, da madrugada para
poder desenhar os momentos que invento
sulla fagundes
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