terça-feira, 23 de outubro de 2012


AMANDO

Um som no ar
Uma voz a  chamar
Como um clamor, dedilhado
Que me tocasse os seios

Alguns acordes, que me fizessem
dançar
Nessa onda de tons e suspiros
Já assim me levasse o coração

Aí dor boa de sentir, ao perder
o chão
Nessa entrega, o coração roubado
Seria de suores os lamentos...
Torcer os lençóis nesse tormento

É sofrer, o flechado coração ...
Rei das  emoções, fazendo poesia,
escrita, nos lanhar dos corpos
Como a tatua-los,ao corpo os mais
 belos,versos


sulla fagundes

domingo, 21 de outubro de 2012


Meu Jatobá

Há um, velho,  jatobá em mim
Ele carece ser vergado, vergador padecer
de poeta
Nem o chamo amigo, o faço companheiro
Nessa mistura simples, dele  me espelho
Eterno espectador, seria seu sonho me vir
ao solo, ao meio?
Mas na  fúria, tranquila, dos vendavais
 assovia ele, as  canções que conheço ...
..
Me  preparo, a posta sobre meus calcanhares...
Jatobá  e eu, labutamos...
Um dia,  quem sabe,  ainda o quebre

sulla fagundes



TANTO FAZ

Um ponto, num jota, num verso
um ponto de entrada na poesia
Um verso, num meio de poema
Era a lira livre, um braço aberto

De tudo que se viva fica o peso
Numa preocupação insensata
Um erro, natural, pronto a ser
cometido lamentado
Com métrica, correta, de  soneto
sonhado aquele desejado

Alias, se deu cor  poema, e ou
ajudou, apenas, o poeta a compor...
Talvez fosse cadente. a decadência
Era um estrela que nasceu para apelos
pedidos

Um pelo trocado, púbis desastroso
Erro que se traz para si vigiado
Aberto ao sofrimento, seja como for
vale a pena
Já não importa o fel que tragarás ...
Traga a teimosia,  etern,a parceria de
poeta

sulla fagundes


FACETA DE POETA

Trocar poemas, algumas linhas
num equilíbrio, como artificio ...
Um ofício em meio ao vício
Vicio de trocar, trocar versos apimentados

Zona erógena, caminho ardiloso
Diz o sonhador, desenhar-se em arte
Artimanha de conquista ... apenas
Uma poeta, solto, acompanhado a poesia
eterno triangulo

No bar vinho tinto, seco, cedo acaba
O sol tarda a propósito do encantamento
Uma face junto ao livro, entre paginas
não perde um verso...
Costura num mesmo ritmo, como sandalo

Roga mais uma madrugada, o vil poeta
Lá vem ela, cheia de inspirações como  a
engana-lo
Sorri, ela naquele trajeto, o toma flechado
Aconselha-o entre as pernas morenas

Ele, tão mal interpretado, a toma num só gole
A coloca nos ombros, acolhe num abraço
Ela num frisson conhecido, deleita-se
Ele a coloca nos lençóis bordados, o qual sobejara
da noite passada
E,  a faz dançar a luz dos olhos, reflexo profano,
 da lua ...

sulla fagundes

domingo, 14 de outubro de 2012


POR ISSO PARE

Pare  repouse  em si mesma
Pare não corra  contra o vento
Eu já parei, pra te esquecer
Pare de fugir, contar as horas
para não me encontrar

Eu já esqueci  as palavras com
as quais me levou a acreditar
Acreditar,  ser feliz
Pare, olhe para traz não há  nada
nem rastro

Pare de ser rato, o gato adormeceu
Pare de correr.... ao encontro  do
desencontro
Pare, rumei  junto a poesia  fazendo
versos de mim

Pare de juntar  medos, tolos, não ha
nem a sombra, do que  fui
Já  não há tempo para  amar assim,
feito  criança
Cresci  metros de medos, acumulei
mais mágoas insuportáveis
Aquelas, que  jurastes  que me livrarias
Pare, nem  sois nada nem  poesia

sulla fagundes


POETA ERRANTE

Passando pela  janela do acaso
Tomando  um último porre
Caindo junto com os planos...
Juntando, os cacos que sobram
dos sonhos

Passando na roleta, de volta
Um bilhete no bolso ,um lenço sem
aceno
Um vão no abismo, lágrima quente
na face

Um motivo para um poema triste
O tempo marcando mais a face
Mais um erro, uma ruga
Sem apelos, no fundo da alma a dor
latente ...
Sobre a mesa, um copo de  vinho azedo

Um adeus dito, o final decretado
Um último, tímido, abraço... a alma saindo
do corpo
O poeta mais uma  vez  tropeça nas linhas
Eterno errante ... apenas sente emoções
não as lê claramente
Claro são as estrelas a persegui-lo,entre
 as madrugadas

sulla fagundes

sábado, 13 de outubro de 2012


POEMA DECLAMADO

Era de louça
Era pintura  de nada
Era papel emprestado
Era um rosto num cenário

Era um palhaço de asfalto
Era cigana  ladra de cartas
Era disco arranhado
Era um cisco no olho

Era pobre de reis
Era a preguiça encrustada
Era um alo de amarguras
Era sem passado
Era a perfeição em delírios

Era uma mala velha andante
Um medo estampado, escorregado
Era um erro declarado
Era frágil repetitiva ...
Era um artificio
Era  poema declamado

sulla fagundes

12-10-2012