terça-feira, 11 de setembro de 2012


Desfez  o acontecido
Em pó faz-se a decadência
Face, ao espelho, duas lágrimas

Mais meia ruga de hora
Oscilante... inquietude
Mais uma camiseta ou zola ao
travesseiro, repousa

Sem jeito sumir se faz hora num sopro
Um nó desatado, era para não fugir do
costume, de sofrer
Era motivo de poeta

Risco que se faz em riscos, encantar-se
na poesia
Era para vir se  ainda havia arte, se tinha
a meia voz, notas de  canção

Se o poeta, devagar, ainda saberia escrever
ou desenhar
Fingindo o amor que escapa em gemidos
Sem ais, febris,  adormece

sulla fagundes


menina

Venha, sempre, cantando
Brincando de me encantar ...
E me entender, eu finjo que acontece
Venha me dizer que "não foi nada"
Dizer que a lua mentiu

Que a poesia era linda ...
Dizer que não era frio, aquele dia quando
a madrugada calou
Que o vento, bobo,escondeu teus sapatos
Que perdeu as meias, entre gaveta

Que fugiu por medo
Fingiu coragem de  dizer adeus
Por  Deus! venha
Colocar minha vida na linha certa
Faça confusões entre meus vestidos
Certa dessa leitura ...
Venha depressa, levastes minhas calcinhas
na mochila,
Pense,  se o vento ousado, trouxer a velho
namorado... venha não tenho  mais apelações
venha...traça contigo, um vinho tinto

Foi tão linda tua estadia ...
Tenho mais poesia, guarda nos meus dias
Venha .. vamos andar  falar nada, tudo
ou apenas  venha  ... estou parada na
estrada, com teu casaco

E, no meu abraço teu verdadeiro aconchego
Venha boa lembrança, chegue devagar e mais
cedo

sulla fagundes


LETRA DE CANÇÃO

Não adiantaria  tanto?!
Seria efêmero  ouro ...
Poderias ter visto os sinais
pontuados,silabicamente ...


Seria dedilhado como canções ...
Futura nuvem, negra, na alma

como tantas que atravessam ...
sussurrei quando olhavas a lua

Seria partida na chegada, partitura
orquestrada
Seria  vinda aos pedaços...
Vinhedo... azedado ...
Momentos, belos, ao chão
Um amontoado de roupas suadas ...
Terreno fertil a coisa alguma,
enquanto pintei-te em poesia ...

A menina  de  mim  em estranheza ...
Avisava-te de velas içadas acesas
A mulher de malas prontas,é meu nome
não há tempo, nem que houvesse...
Seriam disformes os momentos ...
Encarados ao espelho...



Corpos colados, apenas por  colapsos

Sentadas, tendo a mudez como canção
Seria de emudecer  ...
Costume de pecar, em lençóis
Vício ... gosto ...
Não custaria ...nada além de mágoas
Seria marcar o corpo com espinhos ...
Colhidos no caminho de duas  rosas

sulla fagundes


Meu acaso


Não espante a poesia que a  ti dedico
Me tome sem pressa
 Tome em goles meus desejos
Entre tuas saliências deguste os meros
versos

Não espante a poesia na qual te esculpo
A cada toque, dedilho versos puros entre
as impurezas sussurradas entre tuas ancas
Minha natureza e sentidos são sexuais demais
Nas cordas do teu violão e,em pauta me tomas

Me cantas quando me ninas
Me tocas profundamente as canções compostas e ...
tão nua danço  nos teus lençóis
Me aninho,  calma,  entre tuas coxas me deleito
nesse  sabor inesperado
És  tão minha, no teu compasso,  quando assinas
tuas  canções ...

Grito meu sol maior na  tua  estrada e notas
Nele me bronzeio,  enquanto o mar me  toma e
tu  me  ....  engoles  com cheiro da maresia

sulla  fagundes

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Sulla Fagundes - poema- Mulher




Publicado em 03/07/2012 por Sulla fagundes
MULHER

Uma via... um caminho
elo... acesso
Especial mulher, simbolo da reparação ponto
de encontro da canção
Essa mulher, incansável mulher
Intrigante, escreve nem sempre o que sente, não cabe
na poesia, é toda ela em versos ... tão prosa...
um tormento

Tão longe, tão total imortal onde passa ...

Uma saudade, um encanto a paz a ruina
O suor na surdina
A canção mais ladina, o verso mais torto
Esgrima
Intranquila saliência ... incansável tradução

Emergênte na poesia, mulher madrugada, danada
Mulher insana, insensata ... capaz de dedilhar
o sonho rebuscar pesadelos, sonhar em desmazelos
Rebolativa, filha de mulato baiano, poeta violeiro

Mulher ventania cheia de manias ...
Mulher que se farta desalinhada senhora gargalhada
Desejo latente, indolente dengo sonhado, paladar apurado
Se doa espalmada, odor de femea costumeira

Desce a ladeira donzela olhe pela janela ...
com bem mais de meio século de estrada,na mochila sonhos
formosos, desce suas escadas, a cada degrau um remelexo,
cheiro de xamego
E, garante estar saciada qual nada, lá se vai a formosa
dar vazão ao desejo

No seu bamboleio cigano, corre ao som das sanfona, mais
uma hora de dano
desce do salto, levanta as saias ao vento, a proposito do
espio
Lava as coxas ao mar, guloso, o horizonte abre a madrugada
E... ela balança, para que o poeta dance, fora da linha os versos
Ela, a poesia daquele dia remexa ...




Sulla Fagundes

SULLA FAGUNDES - POEMA - Dois pedaços




Publicado em 01/07/2012 por 
DOIS PEDAÇOS

Sou dois pedaços dependentes
Independo de ser total, uma variante irreal como
roupas num varal
Partes repartidas como minhas ancas que ainda assovios
desperta e eu dispersa ... ando pelas vias e bifurcações
Nasci assim repartida, até pela leveza do ser fêmea

Como a divisão do ser coração razão ... mesmo que assim
não fosse, repartiria

Delirante ser, assim permaneço eu, no vão da censura
Na absoluta compreensão dos amontoados de canções
Traduzindo-me no vento onde me reinvento
Sou vulcão onde parí lampeão e, com minha lamparina,
seduzo marias feias ou de estonteante beleza

Sou eu, com ou sem escudo, da guerra do berro do viril
do mocho
Sou uma lágrima na cartola do mágico sem aplausos
Sou a cortina que encerra o espetáculo
Sou ainda eu, que conto em contos os ingressos
Sou perda, dano, alegria, engano mas plena na euforia das
repartiçoes públicas .. das femeas como eu, santas pecadoras

Sou o ingresso sou o tal regresso
Sou o rio sou o homem que dele se farta
Sou eu quem, volta a beber da água
Não sendo o mesmo homem, nem o rio, o mesmo de antes

Sou sempre eu, ressurgindo da arte de escrever, rebuscado

Retalhando o inteiro em partes inexatas
Sou eu quem empurra o cadeirante, e ,me sendo diante
dele, a contar como seria bom sentar-se e escrever
Como quem corre contra o vento e na conta mão, sou um
contra senso um contra verso
Sou eu espontânea e inesperada

sulla fagundes

Sulla fagundes Poema - COM A AJUDA DO POEMA -




COM A AJUDA DO POEMA

Criei um mundo onde vivi algum tempo
Drenei alguns tumores d' alma entre meus
desejos ... apenas espaço
Chorei mágoas antigas orgamos latejantes
Flambados pratos que gelados fiz quentes ...
Vivi amores eternos como cada frisson das
taças intimas .. minhas...
Casualmente tremo .. e amo com fome ... quando
desperto

Conheci as madrugadas e algumas estrelas
Reconheci algumas estradas
Me resolvi em alguns lençóis
Eternizei alguns versos

Fui perdição de alguma gente ... pecando
deslizava as mãos .. nas minhas intimidades
guardadas na minha particular caixa de pandora
Ouvi muitas mentiras .. repassei entre sussurros
Senti verdades nelas, identificação as
quais carecia, para desfalecer numa ultima gota de
suor ...so mais um orgasmo ...

Retomo meu rumo o qual deixei para tras a
algumas décadas de ontem
Levando um aprendizado e algumas lições do coração
A poesia é feita para sentir o que não foi
escrito ... trazendo o sussurrado verso entre um
espasmo e as divindades de corpos suados ...
E.. em seus detalhes o abrigo , o costume o vicio
dos apaixonados em clímax

sulla fagundes