quinta-feira, 27 de junho de 2013

CAMA ESTEIO

CAMA  ESTEIO

Vivendo a procura de um poema
perfeito
Perdeu-se o poeta, sonhador
Sem aceitação, recusado, por  si
mesmo
Riscado do papel, pardo,universal
Sem saber entender muito bem qual
seria o rumo a tomar
Tomou um trago de coragem
Pediu perdão aos poetas iluminados
Seus versos parecem de areia
As sereias nas pedras, de antes
Viajaram de aeroplano cigano
E ficou ele, em profundo abismo
Vicissitude,  fora de linha, obsoleto
Antiquado poeta, que de serenata vive
Roga a poesia, mais beleza ao luar
Mais estrelas urgentes, ao poeta demente
Sonhando com a poesia, esqueceu-se do amor
como semente
Se  ao menos, uma  musa saliente
Transbordasse seus olhos, em sua  cama de
esteio




sulla fagundes
27-06-2013


quarta-feira, 26 de junho de 2013

DECEPÇÃO DE AMOR

Decepção  de  amor




Cansei de ver-te com
poesia
Era  valentia o soprar
do vento
Era tua  estrada e eu
via
E, com poesia, eras forte
braço
Eras o amparo não dito
Era, somente, meu sentir
maldito
Era  eu, o amparo
E nem  sentia ...
Era no meu  sorriso, tua
bonança
Minha alegria, frouxa
E em face de tíbio bambo
Era eu, pino forte soterrado
Nesta descoberta
Em teu lamento, presente
Me faço, plenamente,  distante
Desvanecido, ponto, desacreditado
Sou eu a coragem que querias
Eu reservaria a ti artéria
pulsante
Bijuterias, grosseiras, ao teu
colo falho
Verias, anteverias o faltar do
afago
Prometido,em  dias, nas noites
entre cuias de mate velados

sulla fagundes

26-06-2013

segunda-feira, 24 de junho de 2013

PAPEL DE SEDA

PAPEL DE SEDA

Não, meus instantes são meus
São livres, aprisionados, em
tudo que sou
Minha alameda de pensamentos
São linhas, soltas, num papel
de seda
Não, são trajetos poéticos de
vida
São meus os escritos
Minha caminhada, pode ser, magro
sonho
Fino trato, trago ao leitor atento
 leia-me inteira, em tiras, se és intimo
da poesia
Sou  flor feroz, perfumada
Lembram as laranjeiras, vistas
da varanda, da minha infância
Sou veloz como pena ao vento
Sagaz como fera
Indecifrável aos corações aflitos
Afável aos poetas líricos
Leveza em sonhos de mulher
Menina com rugas, que ainda sonha


sulla fagundes

25-05-2013


sábado, 22 de junho de 2013

SÓIS VIVIDOS

SÓIS VIVIDOS

Aqui mais uma  vez com estima
Mais antiga, que aquele bar da
esquina
O velho pandeiro, entre os dedos
O velho pinho, colado ao  peito
O apito, que me chama a entrar no
rítmo
É o mesmo, de outros momentos nas
ruas
O carnaval, que me ferve o sangue
As passeatas que queimam os brios
Sou o grito de mais um  aflito, que
viveu para assistir tudo isso
Sou o braço que ergue a bandeira
O coração que sangra emotivo
A certeza que estou no caminho
Tenho marcas no rosto e nas mãos
Tenho sóis, que revivi mais quentes
Sou uma mulher de propósitos
Me alimento dos ideais e da arte
As quais, atenta, aprendo mais grito
 um risco
Uma fala, letra, expressão questionada
Sou eu feliz assim. como acredito
Acredito na clareza do curso, de claras,
águas
E na alegria dos punhos cerrados

sulla fagundes

22-06-2013


sexta-feira, 21 de junho de 2013

MORENA

MORENA

Uma  mulher comum
Um corpo de femea
morena
Uma  mulher apenas
uma mulher
Mas com digitais
Com vasto pensamento
Alma desigual a tudo
que possa ter visto
Não me tome como ardente
Nem como serena poesia
Sou a direção, que não se
toma
Se  segue ao longe
Não irei feri-lo nem ama-lo
Acredito ser acerto falho
E tu, um erro que não irei
 cometer
Então parta com teu sentimento
E no assento, da condução, que
possas tomar
Se embriague com a bela moça
ao seu lado

sulla fagundes

INFELIZ DISTÂNCIA

INFELIZ DISTÂNCIA


Meu amor sonha a sombra
Meu amor sonhador
Meu amor licor sedutor
Meu amor admirador
Meu amor que se encanta ao longe
E viaja , ao vento, como vapor
Meu amor, calmo, ama com calor e
fervor
Meu amor, simples, sentimento
Ama com o furor dos encantamentos
Meu amor que busca velador
Um dia ,quem sabe, sentir teu sabor
Recito versos teus sem temores
Um amor de ideias e entrelinhas
Entreaberto ,sagrado, em  segredos
Grita, a esmo,a alma apaixonada
Em teus olhos arteiros em farpas
Um mesmo discurso, mesmo encanto,
Mesma infeliz distância

sulla fagundes

20-06-2013

Odeio os Indiferentes -Antonio Gramsci, 11 de fevereiro de 1917

Odeio Os Indiferentes

Creio que viver queira dizer ser partidário.
Quem vive de verdade não pode não ser cidadão e partidário.
A indiferença é abulia, é parasitismo, é covardia, não é vida. 
Por isso, odeio os indiferentes.
A indiferença é o peso morto da história.
A indiferença opera poderosamente na história.
Opera passivamente, mas opera.
É a fatalidade;
é aquilo sobre o que não se pode contar;
é aquilo que atrapalha os programas,
que derruba os planos melhor construídos;
é a matéria bruta que estrangula a inteligência.
Aquilo que acontece,
o mal que se abate sobre todos,
acontece porque a massa dos humanos
abdica da sua vontade,
deixa promulgar leis que só a revolta poderá revogar,
deixa subir ao poder homens
que, depois, só uma revolta poderá derrubar.
Entre o absenteísmo e a indiferença, poucas mãos,
não vigiadas por nenhum controle,
tecem a teia da vida coletiva,
e a massa ignora,
porque não se preocupa com ela;
e então parece ter sido a fatalidade que investiu contra tudo e todos,
parece que a história não seja nada
além de um enorme fenômeno natural,
uma erupção, um terremoto
do qual todos se tornam vítimas,
quem quis como quem não quis,
quem sabia e quem não sabia,
quem tinha sido ativo e quem indiferente.
Alguns choramingam piedosamente,
outros blasfemam obscenamente,
mas ninguém ou poucos se perguntam:
seu eu também tivesse feito o meu dever,
se eu tivesse procurado fazer valer minha vontade,
teria acontecido o que aconteceu?
Odeio os indiferentes também por isso:
porque me incomoda o seu choramingo
de eternos inocentes.
Quero saber de cada um deles
como desenvolveram a tarefa que a vida lhes colocou
e lhes coloca quotidianamente,
daquilo que fez e, especialmente, daquilo que não fez.
E sinto poder ser inexorável,
de não ter que desperdiçar minha piedade,
de não ter que compartilhar com eles as minhas lágrimas.
Vivo, sou partidário.
Por isso odeio quem não participa,
odeio os indiferentes."

Antonio Gramsci, 11 de fevereiro de 1917