sexta-feira, 7 de junho de 2013

POETAR

POETAR

Aprisiona-me como se fosse feroz
Como se pecado fosse ,ser veloz
Aprisiona-me nas grades do teu
possuir
Como se fora eu, rara, ave dourada
Aprisiona-me nas grades da paixão
Como se fora pecado tocar  o chão
Eleve-me a tua plenitude, prometida
Toca-me com teu ser promiscuo
Toca-me como a canção em esboços
na pauta
Toca-me como fosse  doce flauta, nas
primeiras notas
Sem ensaios toca-me  e encanta-me ...
Cale-me com as mãos sem temores
Aprisiona-me,  cansei de levantar voo
Sair em revoadas exóticas  aprisiona-me
Na vertente dos suores dos amantes ,
aprisiona-me
Aprisiona-me é necessária a leitura desta
poesia
Corrija-me e aprisiona-me nas páginas
do teu poetar

sulla fagundes

07-06-2013

JAZZ NA MADRUGADA

JAZZ DA NA MADRUGADA

Se é fato que me amas
abrasa os meus dias
se é fato me que amas
chegue mais perto e nada
fale, nada diga
Minha alma está ausente
saiu a flutuar meio amarga
Se é fato que me amas
Então, clame a poesia
Grite não ser mais uma ilusão
de destino
A muito a poesia soube, não sei
 sonhar
Se ela, me chamar e de ti vier
a falar, como tola, advogar
Se trouxer esse lamento escrito
como poema
Ah é fato que me amas

sulla fagundes


quinta-feira, 6 de junho de 2013

MEMÓRIA VELADA

MEMÓRIA VELADA

Para não morrer, corro das palavras
Era nela, que tanto calava em poesia
Só não me lembro bem o que dizia
Se na madrugada ou em claro dia
Era instante que queria, pois amor
ali, não cabia
Era turbulenta hora que o pensamento
buscara
Era calada a fala ,emudecida a caminhada
Era setembro ainda hoje lembro ...
Era num mesmo prato que o manjar cabia
Era num mesmo leito que comportava, e o
amor sabia
Era o mesmo instante, ora sembrante ora
ausente
Era moléstia, doença de matar em febres, era
carência
Era a dor mais nobre,e tão pobre em encantos
Era para morrer sem gemer, era puro  adormecer
Sem deixar sequer o visgo, nem um abraço amigo
Caiu no nada, era só uma voz que calou-se em
 nós
Um adeus sarcástico, em dois seres  de plástico
Era mentira toda a lira, era fria  como o chá
da cuia  furada
Não era nada que se possa falar em poesia  ...
Era  só  folia,  para que morresse o tempo e o
tempo sabia
Uma década e tanto, presas nas inverdades
Era mais sumiço que presença
Não deu um poema inteiro, nem em intervalos
Não mereceu um verso, que uma poesia  quisesse

sulla  fagundes

06-06-2013



quarta-feira, 5 de junho de 2013

AGENDA DE PAPEL

AGENDA DE PAPEL

Um dia jogada numa fria gaveta
Chorou o desmazelo da solidão
Um dia o que era o primeiro bom
abraço
Tornara-a  a cada manhã sem serventia
Chorou o mofar dos anos no sótão
Não havia mais o aquecer das mãos
O consultar diário, esquecida fora
Para que o existir, indagava ás teias  e
aranhas
Amarelou-se ao correr dos anos das horas
inúteis sem planos
Envelhecida, tendo as amargas lembranças
do manusear
Afinal não era mais necessária ...
Covarde, dizia ás baratas ao passar entre
sua folhas
Poderia  lançar-se na lateria, maldosamente
cochichavam
O fogo a consumiria em segundos e ninguém
 lamentaria
Afinal obsoleta, em anotações ...
Arcaico objeto  em folheações ...
Um dia um apagão, um vírus não sobia que
 enfermidade acometeu-se a substituta raiz de
suas amarguras
Consumiu a memória da eletrônica
Um ser monstruoso denificára preferida
E ela, parada, com tanto medo afinal os
passos eram pesados rumo ao sótão
Lançou-se as  chamas  que a  consumiu
em frações de segundos
Preferiu a morte,  que ser apenas mais
uma vez  usada
Abandonada novamente, não suportaria ...
Pois  já batia á porta o mantenedor de
maquinas.
Proeminente carrasco que mantinha saudável
 o computador de bolso

sulla fagundes
06-06-2013





POETA TAMBÉM COME

Quem disse  que a fé  religiosa
Impede o lutar, para mudadanças das
desigualdades siciais, gritantes?
Que ordem religiosa, disse que  a
passividade serve de passagem ...
Quem disse que  ficar sentado ...
parado, aceitando as migalhas dos
afortunados
Servem de passaporte para um lugar de
luz?
A qual ordem, imbecil, pertencem os
fracos de braço e de  punho fechado...
Deus ajudou a quem trabalhando estava
Isto sim, está em qualquer escritura
De que ordenação pertencem os tais caras
pintadas, das diretas já?
Quem disse  que a aceitação de gados
seria o melhor a fazer?
A cerca que os trazem presos e calados
Impedem o estouro das boiadas?
Quem disse que o pão  estaria na mesa
pela manhã sem trabalho?
Quem disse que trabalho não e a dignidade
do cidadão?
Quem disse que uma  refeição, diária, faz
de um povo menos miserável?
Quem disse  que  cesta esta ou aquela
não são ,apenas, paliativo
Tais cestas, não são de eficácia
momentânea?
Quem disse  que poeta vive apenas nas
nuvens?
Quem disse que poeta não é povo?
Que poeta come poesia e apenas ela
Quem disse  que  somente pobre grita?
Apenas eles  se revoltam?
Quem disser  que não há nada a fazer ...
Mente, descaradamente
Quem disser que o Brasil é um país  rico,
diz a verdade
Mas também diz a verdade, se  disser que
de um povo pobre e miserável
Quem disser que o analfabetismo acabou
Diz a verdade.. se assinar quase a rogo for
 alfabetização
Quem disser que o Brasil não tem história,
mente
Diz a verdade, quem disser que os documentos
foram queimados
Quem disser que enquanto houver: samba, suor,
carnaval, futebol e novela da oito
Que calam os  "Zes do caroço" diz a verdade

sulla fagundes


05-05-2013

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Indescente gueixa

Que quero eu da vida
Ao percorrer dos meus
olhos
Que quero eu com o amor
Se de tanto amar me cansou
Que quero eu na chuva fina
Tirar o apalpar das sinas
Que quero eu na nascente das
águas
Se de gelo me fiz em cismas
Que quero eu ao colhar da uvas
Se do vinho, enfadonho,enjoado
me fiz
Que quero eu matar instantes
Minha chama exuberante
Que quero eu fazer da vida, poesia
Que me faça sentir o dolor
Ou versos recheado de rancores
Que quero eu entre tantas queixas
Ser mulher indescente  ou serena
gueixa

sulla fagundes
03-06-2013