terça-feira, 7 de maio de 2013


ONDAS DE POETA

Eram somente os olhos  transbordando
Eram as  Teresas, Luizas, clarices
se esvaindo ...
Eram delas os versos que fiz, a poesia
que dediquei
Era só a fonte secando, e elas, que também
fui minguando
Eram elas as linhas as quais trafeguei
Em cada amor que acreditei ser inimaginável
As vendo sair como liras, debrucei e muda
chorei
Enquanto a leveza caía  em meus ombros como
balsamo
O perfume de cada uma  delas, em minhas narinas
atentas, sentirei
A cada esquina que possa andar, desatenta
Sei de cada uma, um tanto a lembrar
E, muito a emudecer nos, eternos, lençóis de chita
barata
Era um último desabafo de amor presumido ...
Era  um adeus, subsequente nada coerente
Eu me despedindo mais uma vez da varanda, onde as
ondas do mar balançam, bailam a ninar  poetas
Como a  rogar para que não parem de tentar escrever
a poesia, que quis tanto ser lida
E, que jamais poderá morrer na praia, na areia ...
Areia de tantos pés indelicados
Pode morrer o poeta embriagado, mas nunca sua obra
presa nos lábios, ou escondida nos lamentos das gavetas
Que na verdade é seu eterno recomeço

sulla fagundes
07-05-2013

segunda-feira, 6 de maio de 2013


Tu e tua  cuia

Eu sumi de mim a cada  hora
Sumi para não vir o ponteiro
Contando as horas em tic tacs
Eu sumi de mim, para jamais
acreditar em fadas e seus contos

Eu sumi diferente, em morte aparente
Parecia, confesso, demência ...
Era urgência  de alma,  ausência
Eu dizia  não faz isso, não se mate
 dentro de  mim

E assim se  deu o homicídio voluntário
Não pude suportar a ,cristalina, palavra
que em mim ecoava
Mais horas escovando as almofadas
Limpando minha vida
Nunca mais, jamais em palavras que
não me pertenciam

Por terem todo o tempo, residente nelas
Se eu pudesse, se ao menos visse, o
colorir da vida
Uma canção que quebrasse a couraça
Mas de presente, me desses, o lado de
cá solitário
Entre teus desaforos, gritados,  afinal o
mundo gira somente por tua causa e a
 teu propósito

sulla  fagundes
07-05-2013


Cansada

O que mais  me cansa
É ter o que acredito, denunciado
O humano  em auto explosão
O mal em total expansão
 O homem  cada vez pior  em
sombrias atividades
 Em ações que desmereço  e
desprezo
Ando  tão cansada,  que esmoreço
os versos,  que  me salientavam
É  ilusório  acreditar que  se pode
confiar
Em  um bicho que  por raciocinar me
ruboriza
Perdoa  meu Deus, mas a receita
que penso  querias
Desandou  no sétimo  dia

sulla fagundes

28-04-2013


ESPAÇOS VADIOS

Meu mundo, inteiro, era  como uma
 estrada antiga ...
Nele, estamos de mãos dadas com
 o destino
Eu  procurava em tantas vias
e alamedas
Uma voz que me chamava,  como
um sussurro constante
Aturdida,entre poemas e versos
Sentia, pulsante, meus dias tão
vazios
Meu mundo ecoava uma ausência ...
Eu,ausente de mim, entre enganos, perdida
Ouvia, um chamado antigo
Insistente, insinuante ao longe ...


O chamado, que tanto eu sonhava acordada
Clamados á poesia, surda, em tantas
madrugadas perdidas
Perguntei a cada estrela, espalhadas nas
cintiladas noites
Daquelas que enfeitam o céu de poeta
De onde viriam meus versos,sonolenta e sem
 resposta adormecia
Um dia que parecia chuvoso, meio choroso

Olhei o tempo passando, e junto a chuva
Alguns pintos, constantes, traduzidos pela
ventania


Pareciam tons de partituras dedilhadas entre
cordas de um piano de caldas
Ou violino, afinado, de alguém repleto de mim
Era meu mundo vazio, sem remorsos, deitado
ao meu lado
Chamado você, que ocuparia meus vãos
E, espaços tão, tristemente, vadios

sulla fagundes

01-05-2013


Não deito na cama do tempo


Não me acha desatenta ...

Não me deito na cama do tempo
Não tenho tempo
Seria morrer, entre sonhos que
perdi a seu próposito
Seria como me defrontar,  meu
rosto
Recontar minhas rugas, e vir mais
uma a cada hora
Não me deito na cama do tempo
Ele é debochado, passa assanhado
Mata de desgosto, por gosto
Não me deito na cama do tempo
Ele é viril,
Com giz colorido das horas rabisca
Desenha rostos gosta de modifica-los
Não me deito na cama do tempo

Cambaleia, para que seja notado
E vai passando pela janela da alma
A espreita dos olhos, desatentos
Segue atendo mascarando pensamentos
Rir-se, a valer, de quem demora entre
dúvidas e medos
O tempo cresce,  viçoso, é só perde-lo
de vista
E lá vai ele, marcando a face em riscos
intensos
Martiriza, a dama de vermelho
O tempo tem uma cama macia, o travesseiro
de penas perfumadas  embreaguez letal
É onde ilude e faz com que ao acha-lo
Percamos horas em lembranças inuteis
Eu não me deito na cama do tempo
Nunca mais, mesmo porque não tenho sono


sulla fagundes

30-04-2013


domingo, 28 de abril de 2013



Como te  quero  
Como te preciso  
Te necessito tanto
De um tanto, que sequer
percebes o montante ...
Te  quero, preciso como
canção  
Sem mais talvez  venha ...
Tua exatidão, é o que meus
versos precisam
Esse teu jeito manso 
Dedicado a mim, me faz ser
tão tua senhora  
Insuportavelmente  tua, na 
calada  das vozes
Na correr das horas, te quero
ainda pela manhã  
Então é cedo ainda, melhor que
tarde demais ...
Pra te dizer  ré confesso  
Te  quero passeando na praia 
No inverno, que vem chegando 
Como  te quero  sonhar entre
beijos  
Um abraço daqueles  de matar
saudades 
Assassinar  distâncias
Te quero  nos  poemas  rimados 
Te quero livre sem  do recato
Te  quero presa num porta retrato   
Te quero entre o sonho e o tom 
Já te dei as chaves do lugar, que
guardei pra nós 
Lugar de ficar calada, de não dizer
nada
Deixar o silêncio falar, e nas brumas
vespertinas, te abraçar
Como quero teu cheiro inalar, sentir
teu cheiro em mim 
Aquele da pele, guardado no casaco 
Nos bolsos, embutidos, da memória traga
contigo

sulla fagundes
24-04-2013


Pietra Pieruzzi