domingo, 25 de novembro de 2012

O PRIMEIRO AMOR

O PRIMEIRO AMOR



Trago em mim  o amor  primeiro
Tantos  o procuram em seus amantes
Eu vejo o num blues, a voz primeira

Nas asas  das  canções num berço
a mão a embalar ...
Calam  sentimentos  que ensinam a
amar
E nos  pátios, vazios, tenho  um banco
ao meu lado, um vago lugar
Para a chegada da mulher a cantar aos
meus ouvidos
Até o fim dos meus  dias, lindas canções
apemas para que eu  adormeça

sulla fagundes

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Sulla Contorça-se


Contorça-se

Ande pela  sala fale dos vãos
Conte-me das tuas ousadias ...
Fale a esmo ria  debochada ...
Vamos andar pelas estradas

Deitar sobre o sol, quente, dessa
cidade ...
Vamos dançar aquele ritmo
Falemos dos nossos roseirais

Sussurre os suores de hoje
Me desenhe nos lençóis de agora
Não me conte histórias na chegada
Não me faça ensurdecer

Me encante com teus fartos lábios
Sinta meus compassos ritmados
Não me fale de idas  a lua
Lá  ja  estive nua ...sem encantamentos

Não me fale de cansaços e amores
eternos
Assim posso abrir teu segredo facilmente ...
Não me peça  para que fique
Fique calada assim me  afinco
Solto as amarras, apenas para ancorar

Não reflita, agora, nem se ponha aflita
Assim meu medo de ferir me leva a partir
Não quero duas fontes a verter ...
Quero teu riso frouxo e tuas saliências
A juventude que emana dos teus poros

Repouse  com leveza perfumada
E, nada indague assim retomamos a
estrada ...
Entre na  concha, sinta o cheiro
forte , do pecado ...a rosnar sempre
teu nome ..

sulla fagundes


Eliana Melo


Eliana Melo


JOÃO BOSCO - ESCADAS DA PENHA ( POR DENTRO DO CRIME )




Composição: João Bosco Aldir Blanc

Nas escadas da Penha
Penou no cotoco de vela
Velou a doideira da chama
Chamou o seu anjo-de-guarda
Guardou o remorso num canto
Cantou a mentira da nega
Negou o ciúme que mata
Matou o amigo de ala.
Tá lá
Tá lá o valete
No meio das cartas
No jogo dos búzios,
Tá lá no risco da pemba,
No giro da pomba,
No som do atabaque,
Tá lá.
E tá no cigarro, no copo de cana
Na roda de samba, tá lá
Nos olhos da nega na faca do crime
No caco do espelho no gol do seu time...
Tá lá o amigo de ala
O amigo de ala
Matou o ciúme que mata
Negou a mentira da nêga
Cantou o remorso num canto
Guardou o seu anjo-de-guarda
Chamou a doideira da chama
Velou no cotoco da vela
Penou nas Escadas da Penha

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

O BICHO HOMEM - música de Raimundo Fagner sobre poema de Francisco Carvalho



O BICHO HOMEM


Que bicho é o homem
de onde ele veio
para onde vai?
Onde é que entra
de onde é que sai?

Que raio lhe acende
a chama da fúria?
O que é que sobra
da cesta básica
de sua penúria?

Que bicho é o homem
do que se enfeita?
Que mão o ampara
no chão de enigmas
em que se deita?

Que bicho é o homem
que mama no seio
da reminiscência?
E que embala a morte
em seu devaneio?

Que bicho é esse
que carrega o fardo
de uma dor medonha?
Que sucumbe ao charco
mas ainda sonha?

Que bicho vagueia
na treva hedionda?
Que pantera esguia
será mais veloz
do que a própria sombra?

O homem que tece
as malhas da lei.
Que bicho é o homem
que transforma em pêssegos
as fezes do rei?

Que bicho é o homem
que ama e desama
que afaga e magoa?
E que às vezes lembra
um anjo em pessoa?

O homem que vai
para a eternidade
num saco de lixo.
Que bicho é o homem
de salário fixo?

Que bicho é o homem
que trapaceia?
Que às vezes pensa
Que é mais brilhante
do que a papa-ceia?

Que bicho é esse
que escreve as vogais
das cinzas do pai?
-- De onde ele veio
e para onde vai?

Que bicho é o homem
que se interroga?
léguas de volúpia
sonhos e utopias
tudo se evapora?

Que bicho é o homem
de argila e colostro
que lavra e semeia?
mas só colhe insônias
em lavoura alheia?

Os rastros do homem
no vento ou na água
são rastros de fera.
Mas que bicho é esse
que se dilacera?

O homem suplica
os deuses concedem.
Que bicho é o homem
que sempre regressa
às praias do Éden?

Que bicho é o homem
que escreve poemas
na aurora agônica
e depois acende
a fogueira atômica?

Que bicho te oferta
um ramo de rimas
e à sombra dos mortos
semeia gemidos
por sete Hiroximas?

Que bicho te espreita
aos olhos dos becos
onde os cães insones
mastigam as sombras
dos antigos donos?

Que bicho é o homem
que rasteja e voa
que se ergue e cai?
-- De onde ele veio
e para onde vai?

Que bicho é o homem
de onde ele veio
e para onde vai?
Onde é que entra
de onde é que sai?


FRANCISCO CARVALHO


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