quinta-feira, 1 de novembro de 2012
RESGATE
Quando um dia, realmente amanhece
Um mergulho acontece
Raiar ou banhar-se
Virando páginas, voltar a reler
algumas
Lendo, com outro entendimento,em versos
maduros ...
Um termino de frase.. um ponto
Uma oração coordenada
Estalar de dedos, despertamentos como um raio
escancarando o entendimento, riscando o céu
Um banho, reparador .. limpando num mergulho,
o que pesava demais
Claro, pulsante, adolescente
Desejos arrepiando a pele, todos os pelos eretos
aparando
A paz, abraçando calmamente ...
Um segredo, revelado, reconhecendo, o amor
Estar sinceramente, com seu próprio nome apartado
do codonome
Reconhecer-se enfim, desprovendo-se das grades de
um alarde de desejos infames, imposto, pago a duas
penas ...
É como resgatar a alma, recolocar as cores,na vida
guardadas nas saudades de antigos amores afagados
Deitar-se na lua, e sua calmaria, nascem mais versos
e muito mais poesia
Dormir em braços fortes aconchego, amparo ...
Silenciada em plena satisfação do corpo, secundária
fantasia
Sem palavras pronunciadas ... apenas dirigidas em gestos
brutos poeta louco e suas demencias
Um toque .. as mãos numa linguagem universal coloquial
Dizem dos carinhos e caricias, antigas, numa...
retratação diária...
São atos, tão novos, apaixonadamente ao avesso do belo
sulla fagundes
PUBLICADO EM ALMA E POESIA
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
terça-feira, 30 de outubro de 2012
MODESTOS VERSOS
Revejo na estante instantes
Repousados, num copo de vidro
junto ao vitral, azulado, do segundo
Em seguida a tragédia corta o copo
Dilacera em cacos, tristes, a paisagem
Achar em outro timbre um sonho bobo
Transferência, macabra, relutância de risos
Numa placa, de procura-se, largo sorriso
Ao fogão, em fogo brando, aquecendo o velho
prato sem gosto nem cor
E, no quarto, daquela hora, mais uma hora ...
de solidão,driblada
Um quadro, deprimente, daquele vernissage
Mostra o movimento das damas,no tabuleiro, tolo
Nas cartas, lê-se ouro e espada
E, enforcado, arrocha a corda como a destruir-se
A vida num querer esvair-se, nesse tédio
deprimentente empalidece, descora, sem viço ...
Por vezes, delirante invento, traz nas mãos, a
rigidez sem coragem de manter-se
As pedras dessa estrada saltam imitando num
vão de madrugada, a cadência das estrelas ...
Maquina de fazer ingênuos ...em versos mochos
repetitivos ...
Há um modo, um jogo, uma dor, que desmanche ou
deliberadamente ...cale
Um momento, desses que a surpresa devote um
grito
Emudeça sucumbindo-os enfim
sulla fagundes
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
NEM SOLDADO NEM POETA
Se eu tivesse feito bolinhas
de flocos na neve
E, se ao menos... nevasse aqui
Se eu, algum dia, tivesse amado
Mas nunca amanheceu em minhas
madrugadas
Se eu tivesse abraçado, uma só
vez que fosse
Mas teria que largar a espada
É com ela que me defendo, noite e
dia
Se eu sonhasse uma noite inteira
Largaria o posto seria mal soldado
Se eu parasse para ouvir os sentidos
Subitamente, com certeza, seria um
alvo fácil
E se eu largasse o poetar, fosse
descansar
Talvez dessem por minha falta ...
Desertada da infantaria ... não seria
nada ...
Nem soldado nem poeta ...
sulla fagundes
O que há afinal?
Ao invés de mais compreender
Mais á lona nos empurram
vamos nos mostrar no apogeu
da arte
Há espaço e somente criar
Deixar ir a vocação, a lavoura
de algodão
Buscar uma resposta na alma de
um irmão
Achar, deixar de perguntar ...
é mais fácil, sentir o pulsar
O que há afinal?
A arte não mais responde?
Ou a emoção de criar, não nos
dignifica?
o prazer de achar um bom poema
que nos responda ou desenhe...
O que há afinal?
Um deboche a cavar covardias
até em versos e poesias ?
O que há afinal?
Apenas um só bloco, na madrugada,
Em copas, fechado
Já não existem serenatas ...
O som do amor, cantado, que não
era pecado
Agride o sono, e, o apaixonado, vil
criminoso se torna
Não é competição, somos nós em arruaça
criação ... Antes que matem a arte
Vamos fazer parte do que nos
responde... somos sim arruaceiros da
poesia choramos, pois antes de compor,
a sentimos ...
o que há afinal?
sulla fagundes
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
BRASILEIRA
Uma mulher brasileira que pondera
Muito comum, despercebida, a muque
leva a vida...
Pirraçando, faz versos medianos ...
Conta nada a ninguém, boa de se ler ...
Sou poeta, rima livre me convém a raça
Tenho cá, minhas soluções, boa de bola,
de dança ...
Deito fama a desacatar quaisquer que me
imponha
Boa de jogo de briga, faço minhas liras
nas camas que deito
Que levem meu fubá, mas me deixem ciscar
Traço a poesia do lado esquerdo da vida ..
Meus rabiscos, assino sem susto, nem receio
Boa de batente, não falo quase, nada
Mas se desacato, como o dito da minha
terra, sou rapina rasteira ...
Nascida no forno daqui, não sou fulana de
ninguém
Sou baiana, que na calmaria, prima pela
raça ...
De sangue negro, nada em mim...escraviza
Deito fama por não fugir, com meu, belo, rabo
cobiçado
Entre minhas pernas, grossas, coloridas pelo
sol deste lugar
Se me deixa livre escrever de pé quebraço ...
me adoça a estranheza
sulla fagundes
Lamentar ....
Quando chegas de pés sujos
Evito falar, muda, calada, ainda
poderia esquecer
O perfume, diferente, nos teus
pelos
Lamentar ...
Poderia apenas te banhar, evitar
o tempo que aguardo...exata hora
Estrutura que apronto para o adeus
Lamentar...
Quando derrubas suores em linhos
encardidos ...
Sempre sobre a mesa o jantar, frio
dos teus atrasos, lamentados ...
Lamentar ...
As lágrimas as quais recolho a temperar
teu prato
Mato o dendezeiro lá fora, onde faço teu
predileto prato ...a colorir teus lábios
Lamentar ...
Quando de costas me vir, com meu feio
vestido ...
O lamento irá abraçar-te, nem o colorido
dos teus lábios terás ...
Mato com água, fervente em homeopáticas
doses .. o dendezeiro ...
O qual trouxe do outro lado do meu mundo
sulla fagundes
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