quarta-feira, 4 de julho de 2012

SULLA FAGUNDES - POEMA - Dois pedaços




Publicado em 01/07/2012 por 
DOIS PEDAÇOS

Sou dois pedaços dependentes
Independo de ser total, uma variante irreal como
roupas num varal
Partes repartidas como minhas ancas que ainda assovios
desperta e eu dispersa ... ando pelas vias e bifurcações
Nasci assim repartida, até pela leveza do ser fêmea

Como a divisão do ser coração razão ... mesmo que assim
não fosse, repartiria

Delirante ser, assim permaneço eu, no vão da censura
Na absoluta compreensão dos amontoados de canções
Traduzindo-me no vento onde me reinvento
Sou vulcão onde parí lampeão e, com minha lamparina,
seduzo marias feias ou de estonteante beleza

Sou eu, com ou sem escudo, da guerra do berro do viril
do mocho
Sou uma lágrima na cartola do mágico sem aplausos
Sou a cortina que encerra o espetáculo
Sou ainda eu, que conto em contos os ingressos
Sou perda, dano, alegria, engano mas plena na euforia das
repartiçoes públicas .. das femeas como eu, santas pecadoras

Sou o ingresso sou o tal regresso
Sou o rio sou o homem que dele se farta
Sou eu quem, volta a beber da água
Não sendo o mesmo homem, nem o rio, o mesmo de antes

Sou sempre eu, ressurgindo da arte de escrever, rebuscado

Retalhando o inteiro em partes inexatas
Sou eu quem empurra o cadeirante, e ,me sendo diante
dele, a contar como seria bom sentar-se e escrever
Como quem corre contra o vento e na conta mão, sou um
contra senso um contra verso
Sou eu espontânea e inesperada

sulla fagundes

Sulla fagundes Poema - COM A AJUDA DO POEMA -




COM A AJUDA DO POEMA

Criei um mundo onde vivi algum tempo
Drenei alguns tumores d' alma entre meus
desejos ... apenas espaço
Chorei mágoas antigas orgamos latejantes
Flambados pratos que gelados fiz quentes ...
Vivi amores eternos como cada frisson das
taças intimas .. minhas...
Casualmente tremo .. e amo com fome ... quando
desperto

Conheci as madrugadas e algumas estrelas
Reconheci algumas estradas
Me resolvi em alguns lençóis
Eternizei alguns versos

Fui perdição de alguma gente ... pecando
deslizava as mãos .. nas minhas intimidades
guardadas na minha particular caixa de pandora
Ouvi muitas mentiras .. repassei entre sussurros
Senti verdades nelas, identificação as
quais carecia, para desfalecer numa ultima gota de
suor ...so mais um orgasmo ...

Retomo meu rumo o qual deixei para tras a
algumas décadas de ontem
Levando um aprendizado e algumas lições do coração
A poesia é feita para sentir o que não foi
escrito ... trazendo o sussurrado verso entre um
espasmo e as divindades de corpos suados ...
E.. em seus detalhes o abrigo , o costume o vicio
dos apaixonados em clímax

sulla fagundes

terça-feira, 26 de junho de 2012

Sulla Fagundes poesias - Parti -




parti

Como quem, não somente, sai de  cena
Parti como quem volta para si mesma
Arrebentando sonhos
Depurando um condimento

Eu parti
Me acabei aos pedaços caminhando e ...
juntando  tais frangalhos
Foi a última janela uma explosão

Tinha opções escolhas  ...
Era o abismo ou alguns barrancos
Durante alguns anos .. fragmentos de
sonhos, me recompunham

 parti
Era o  fim da jornada, era um total cansaço
Fadados anos, pesando, nas articulações
O amor havia  viajado para se refazer
Em ondas de prazeres em férias fatais, estava
exausto daquela espera ...

 parti
Assim como a vontade de escrever, e ,nem percebi
Pati das lendas urbanas, a mais assustadora
As mentiras as quais já esqueci ...
É ... eu parti já era hora de ir,ao contrário dos
versos.. fotografo instantes

sulla fagundes

terça-feira, 22 de maio de 2012

Sulla Fagundes - Conto de Instantes -.




CONTO DE INSTANTES

O mundo dos meus versos, versos espios... atentos
o amor além das palavras escritas
Lidas nos olhos, entre recordações pertinentes
Meu mundo traçado no meu céu de menina
Nele,  sou solta como as palavras... sou vento,
sou brisa, ventania que me respira e inspira

Debocho do amor,  insana, cercada nas minhas
confusões , entre arco- iris coloridos me resolvo

Lá no meu mundo tem um céu, onde sei que nada sei,
danço caibo inteira nele
Ajustada

Nele sou plena a espiar os casais, a recordar meus
amores antigos,  outros perdidos ...
No meu céu  no meu mundo, tem uma linha reta...
que brinca com o mar sem toca-lo .se auto denomina
horizonte .. linda !

Durate o dia  com mil arco iris, e sóis,  a noite
cheia de poesia em versos  encantados, onde as estrelas
saltam,  e, a lua sorri .. junto  comigo
Dançando entre sonetos apaixonados,  me ajuda a compor
A poesia flui  com sutileza e me abraça apaixonada ...
encantada

Deita-se  sobre mim nua,  a  lua   me faz eleita, dama
Dama
do poeta ... me olha exausta entre  suores de amor,e de
tanto nos amar, nos jogamos na cama do sentir, e sorrindo,
ironicamente nos abraçamos,

interminável
Sem compromisso de  finas e começos, contamos em contos
poéticos, nossas madrugadas
São eternos  contos de  instantes ...

sulla fagundes

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Sulla Fagundes- Falando de Mim-




FALANDO DE MIM

Saber meu nome, secreto
Penetrar, na constelação crua
Minha ignorância, seleta e nua
Minha identificação lésbica

Na minha idade em dias duros
Brados, estragados da ditadura
Minhas senhas fáceis e facetas
Das minhas luzes acesas

Abrir portas trancadas
Com idéias tocadas num banjo
Paro e acho, que não sei de nada,
que passe nas bandejas
Invadindo com meu sentimento
Corações de anjos, enjoados

Eu ando pensando, em quase nada
Asas conquistadas, para não voar
Sinto prazer, nas explosões, da espera

Na rebentação da ondas ... morrer
Sentada nas pedras amontoadas
Só para não enlouquecer, antes de
amanhecer
Vagando por ai balanço em sinucas,
Soluçando, pendurada nas saias das
vadias
Sou poeta sinto em demasia ...

Sulla Fagundes

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Sulla Fagundes -COMO ESPERANTO -.





COMO ESPERANTO

Vamos passear no passado
Deveras a memória, nos serve
Vamos calçar as luvas, faz frio
Me reconheço nas tuas esporas

Vamos, tire as botas
Retiro as sandálias de salto alto
Que ferem teu ombro nu
Vamos, venha sem nada nos pés

Meu vestido, longo, ao longe da cama,
caído
Vamos chegue sem espanto, como
esperanto
Calmamente, corre ao largo ao meu
jeito de ser

Traga contigo a voz rouca
Aquela que me arrepia,me faz menos
arredia
Vamos, acabe de estragar meu momento
Assim me sinto cada vez mais em casa

Na cama dos meus versos afogados ...
Nesta espera, antiga, traga as coisas
lindas na ponta da língua quente ...
Não existe poesia antes da tua chegada
Vamos, chegue para que ela se espante
saia do sentir, para o velho e borrado
papel ,e desencante

sulla fagundes