domingo, 29 de abril de 2012
Mudo
Ao lado da cama
um pequeno móvel, imóvel ...
Chamado criado
Carrega quatro gavetas,
pelo menos o meu móvel ... criado
Alguns objetos ... nelas ... coisa
antiga mais antiga que eu...
Velhas fotos quinquilharias...
Bobagens de um tolo sonhador ...
Ocupado o velho criado, mudo, ali parado
meio anestesiado ...
Não sei se me lembro onde o comprei
ele me parece nem lembrar de onde veio ...
Não nos falamos ... ele mudo eu sem querer
me expressar..
Mas mudo
O sonhador
o olha... companheiro de residências
residindo sempre, em má e boa companhia
Surdo ...
cheira um velho lenço, guardado, em uma
se suas gavetas, muda como ele...
Amarelado o tal lenço ... cheirando a passado
toca às lembranças cegas...
Num tatear costumeiro ...
Deitado ao lado do mudo... criado
criando teias ...
Criado parado sujo de poeira ...
ainda suporta um copo d'água e versos vagos
(sulla fagundes)
CALO NUM PÉ GROSSEIRO
Tenho calos amigos ...
antigos demasiadamente ...
Nem preciso
sou tão ímpar ...
Meu caminho faço sozinha, não me
aglutino nas romarias
Traço minhas linhas, sem enrolar
... me aninho
No limite da intriga me alivio, surda
Meus calos são antigos ... não liberam
a força do meu braço
Aguço meu paladar num tropeço ...
e surda .. ainda levito ...
Tenho meus bichos guardados,
antigas feras parindo ...
Agora ... descanso ... enquanto
a última criatura esmurra-se ...
Sou serena em meus vendavais
Sou dois lados .. como qualquer
respirante ...
Sou bala certeira, com a arma guardada,
engavetei uma poesia ... engraçada
Que se faz piada ... não de rir... de lamentar
Estou prenha .. em emoções ...
Nascerá a razão do meu versar ...
Num ninho de amor, me derramar, ... numa
saia, saliente, costurar mais versos ...
Já avisto a lua ...me falta a musa ... ao longe
uma estrela a brilhar, seria ela, a encantar
vejo brilhar ... cintilante ...
Espero mais adiante, numa madrugada ... radiante
Sentir... se ela ao dançar... me encante
sulla fagundes
sulla fagundes
SINTO SAUDADES
Meus pais, meu pai
Era tão bela minha mãe
em atos ações
Era bela, uma mulher linda
Era tão florida a jardineira
Eram onze horas e rosas as
flores as quais gostava...
Era calma sua fala ... era
meiga como não sou ..
Mais saudades se faz, seu
abraço seu estar ... aninhado
Meu pai, tão inteiro, intenso em tudo,
desde o começo
Guerreiro amigo, valente poeta
Assim se foram e fiquei, sedenta
das sementes, onde germinei
Me fiz valente sem doçura ...
Só cabiam as amarguras.. era a fera
nascendo enjaulada ...
Para sobreviver, sub existir ataquei ..
E... quase condicionada, ataco o que
ameaça
Nem me lembro direito... da menina ...
e suas pipas e bolinhas gude, apostando
Me lembro do café da tarde ... do caminho
a escola ...
Ainda me lembro de ser a primeira aluna ...
e tocar na banda
Como recordo dos meus e dos males ...
que sofri ...
Nem uma parede para encostar .. nem
pude sentar e chorar
Não dava tempo ... tive que acudir os
demais, demais ...
Ainda não sei a fonte das minhas forças
mas sei que tenho uma ...
sulla fagundes
sábado, 28 de abril de 2012
ME ENCANTA
Me entrontre na madrugada
Preciso te ver mais as claras
O sol ofusca minhas palavras
Tendo a lua testemunha de mim...
Me encontre na madrugada
Veja com mais poesia
O que escurece teu dia, venha
vamos dançar , enquanto a poesia
se desenha
Venha, me encontre na madrugada
onde estou a espera dos versos
Na madrugada dos poetas ...
Aquela que encanta os versos dá
corpo ao escrito
Desenhando a melodia ...em lirismos
emaranhados nos fios das esperanças
Me encanta a madrugada, rolam ... as
lágrimas abortam as angustias
Me encanta deveras a madrugada ...
sulla fagundes
sexta-feira, 27 de abril de 2012
GEADA
Meus olhos vêm a fumaça
Qualquer embaçar de espelho
Gelada maneira, coisa da estação
por vir
Congelado cuco, que se abriga no
relógio da sala de estar
Na parede ao lado do sofá
Os ponteiros não prendem os instantes
As saudades em rompantes ...
Gelada olho para a vidraça embaçada
Um nevoeiro imenso ....
Teu vulto assemelha-se á qualquer
chegada
E.. sentada no teu sorriso, cativa do teu
abrigo num abraço
Nem sorrio ,apenas espio o tempo que
não passa ... arrasta os planos que fiz
Quando me sinto esquecendo ... meio
adormecida
Grita o cuco, de repente, atrasado ... de
pijama e me chama ...
E... em meio a geada, calada, ainda sonho
Meus em planos.... de fumaça ...
sulla fagundes
COISA QUE INCOMODA
Que a lua se desobriga da madrugada
Que as estrelas, fechadas em copas, deixa
o poeta de costas sem nada
A poesia, resoluta, nem se coloca nas inspirações
Tem coisa que faz o sol reinar absoluto ... em
incontáveis manhãs
A madrugada adormece seus meandros
Não chove, aquece ou esfria ,apenas, incomoda
a arte da poesia
Tem coisa que incomoda
Como o cão que come suas ovelhas ... não
tem jeito não tem jeito ....
sulla fagundes
Soluçou a madrugada
Morreu o mais velho poeta
Professor da nostalgia
Por quem chora a poesia
Aquele o qual se apaixonara
Com ele deitara teve versos
lindos
Tímidos, ainda na adolescência.
Lá se vai, corre o cortejo
Ela vestida de negro, traz saudades
nas mãos
Nos olhos vertente de lágrima..
Na cama a mais absoluta .. saudade
A lua, escondida, medita
As estrelas, rezam, em corrente
O sol não adormece desde então
A poesia .. abraça a canção, em
desconsolo ..
Sem letra, a musica, ainda acalanta
Nessa longa espera .. em luto
sulla fagundes
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