quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Helena Correia


Hoje eu quero

Hoje eu quero despir-te e possuir-te
quero olhar e beijar-te
lamber cada centímetro do teu corpo...
Hoje eu quero mostrar que não há infinito
no paraíso dos amantes
amando-te ternamente no amor e na tesão...
Hoje eu quero gemidos, beijos e sussurros
e roupas espalhadas pelo chão
lubrificando a tua alma de amor faminto!
- Hoje eu quero...


Helena Correia

Recanto das Letras
Código do texto: T3974061


CATIVEIRO

CATIVEIRO


Me liberte desse cativeiro
Não me olhes assim com receio
Esperar é meu castigo, aceito

Ofereça-se, sem respeito
Toda oração, nesse  belo
par de seios

sulla fagundes

CECILIA MEIRELES




CECÍLIA MEIRELES

De um Lado, a eterna estrela
e do outro a vaga incerta,
meu pé dançando pela
extremidade da espuma,
e meu cabelo por uma
planície de luz deserta.
Sempre assim:
de um lado, estandartes do vento …
- do outro, sepulcros fechados.
E eu me partindo, dentro de mim,
para estar ao mesmo momento
de ambos os lados.
Se existe a tua Figura,
se és o Sentido do Mundo,
deixo-me, fujo por ti,
nunca mais quero ser minha!
(Mas, neste espelho, no fundo
desta fria luz marinha
como dois baços peixes,
nadam meus olhos à minha procura …
Ando contigo — e sozinha.
Vivo longe — e acham-me aqui…)
Fazedor da minha vida,
não me deixes!
Entende a minha canção!
Tem pena do meu murmúrio,
reúne-me em tua mão!
Que eu sou gota de mercúrio
dividida,
desmanchado pelo chão …
Cecília Meireles (1901-1964)


terça-feira, 6 de novembro de 2012

AÇOITE


AÇOITE

Inspira-se quando respira
Mesmo as cores sendo cinzas
Mesmo no desconforto
A vida é rara

Quando a loucura finge ser
 normal
Perde tempo correndo na viela
escura
Asmática maneira de respirar

O corpo pedindo calma a alma
pedindo reza
O sangue corre nas veias dando
febre
Uma paciência que escolhe-se
O tempo não esquece de cobrar
dívidas, esquecidas, no açoite

sulla fagundes

CHOCOLATE

CHOCOLATE

Na minha despensa tem chocolates
amargos  
Essa herança se faz presente ...
Cuecas na minha cozinha 
Dispenso  meu lado  avesso  
Atrevida aceito, aos quilos, desejos
soprados aos meus ouvidos ... 
Sento em teu colo, á francesa, me dê
um conhaque enquanto acendes teu charuto 

sulla fagundes 


segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Terceiro olho


TERCEIRO OLHO

Havia um terceiro olho
que enxergava a alma
Era alerta, num manifesto
irônico
Identificava com relato
preciso

Olho mágico
Somente quando a razão,
retoma  o curso, rédeas
Se pode ler o que a lente
retinha
Claramente folheia-se as
páginas em fotografias

Terceiro olho
Malignamente, não fecha a
pálbebra
Ressecado, lê almas e suas
demências

sulla fagundes

FORMAS E FONEMAS