quinta-feira, 6 de dezembro de 2012


O gozo de estar triste

É tão triste acordar ao meio-dia
de um sábado que soa a vento e frio,
sentir que sobra uma porção de cama
(a cama se não estás é como um túmulo),
abrir os olhos ─ ou, melhor, que seja
a luz que vem abrir-mos ─ e saber
que tudo hoje será inútil, que
este dia nem um milagre o salva.

É triste levantar-se depois, sem jeito,
ir aos tropeções à casa de banho,
olhar-me, bocejar um par de vezes,
ver um homem sozinho no espelho,
um homem sozinho e que o sabe.

É triste que depois, contudo,
o meu corpo continue com o jogo,
e ponha a cafeteira, faça um sumo,
umas torradas e ponha tudo isso
numa mesa, que se sente, que coma
e beba e no mais negro do peito,
sem saber porquê, se lhe solte um pranto.

Torna-se então muito mais triste ainda
olhar pela janela, ver as nuvens
que passam, que ─ tal como a vida ─ passam
sem espaventos, mas que nos comovem,
apoiar-se, por fim, muito lentamente
às costas da cadeira e, isso mesmo,
deixar o olhar fixo e não ver nada.

Juan Miguel López
(trad. Joaquim Manuel Magalhães)

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012


ALGUMAS MEMÓRIAS

Lá se ia Maria na Aurora de seus dias
Ao lado de Amélia, companheira fiel
Mulher de verdade, daquele poeta, poeta do
 Lago
Isaura e sua viola onde o samba tarda, e,
não termina nem domina o cantador

Isaura, de escrava a carrasca, de seu senhorio
Chega na pauta, Chica da Silva negra amante,
vergonha de seu contratador, contratado da corte
aos pés, debochados, de Chica
Luíza de Antonio Brasileiro,paixão e desejos
Marina que Caetano musicou e cantou belamente

Marina de tão bela, nem seu rosto  careceu
pintar
A serenidade de Lígia, perdido deixa ao piano,
mais uma vez, Antonio Brasileiro
Gabriela obra literária livre, tão livre que
o trono de rainha ... desprezou, como conta Jorge

E, Tieta do agreste, em seus lençóis de areia se
 deitava, só para ser Tieta, relato do amado
E mais uma vez,  Amado, descreve em literatura
tamanha formosura
São delas, algumas memórias  que trago comigo, li
de Amado, Antonio e tantos mais
Meus versos exaustos ... ando casada ultimamente
Já fui mais ousada hoje, adormeço
Nem vejo a madrugada, de onde a poesia emanava...
Lindas coisas de amor tão minhas, quanto de Chico

sulla fagundes


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Sulla Fagundes -poema- Passado- música Que feras tu de nous




Passado

Vivendo a cada momento
E exemplo do beijo apaixonado
No seguinte instante em que os
lábios separam-se, é passado
Mesmo que mil beijos aconteçam
Cada um é passado do outro

Passado

Sonho realizado, abraço apertado
satisfeito o desejo passado se faz
Passado
É disso que se vive, o verbo maior
O mais deslumbrante futuro brilhante

Passado

Faz história é conjugação precisa
Presente ao passar, passando se faz
pertinente
Passado, carrasco de tantos...
Aprendizado de titãs
Jamais volta
O passado senhores
É o que fica, o passado tráz em si, os
homens

sulla fagundes



Passado

Vivendo a cada momento
E exemplo do beijo apaixonado
No seguinte instante em que os
lábios separam-se, é passado
Mesmo que mil beijos aconteçam
Cada um é passado do outro

Passado

Sonho realizado, abraço apertado
satisfeito o desejo passado se faz
Passado
É disso que se vive, o verbo maior
O mais deslumbrante futuro brilhante

Passado

Faz história é conjugação precisa
Presente ao passar, passando se faz
pertinente
Passado, carrasco de tantos...
Aprendizado de titãs
Jamais volta
O passado senhores
É o que fica, o passado tráz em si, os
homens

sulla fagundes

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Sulla Fagundes- poema- Primeiro dia de Abril.música Acender as velas-Nar...





 PRIMEIRO DIA DE ABRIL

Nem que as  rosas  desabrochassem
Ia indo pela praça, um tropeço
Não haviam estrelas  no  céu, nem no
chão
No fim nem no começo
A lua  descansava, desatenta,  num véu
meio escuro para  ocasião ...

Como melodrama,  deu-se em lástimas
Maria  estava sem fitas  ...sem nada
O poeta  dormia, naquela madrugada
O tempo, fez a cama  diferente ...

Nem memória, nem música que tocasse
Sem agradecimentos, calça-se os sapatos
Sem velório, foi  crematório ...
Sem louvores, na marcha lenta  ...
Era  até  numa data engraçada  ...

No primeiro  dia,marcado, onde corre a
brincadeira
Abriu-se a cortina, em mes  quarto,
Logo na primeira hora ...do primeiro
dia
Deu-se a gargalhada, costumeira e sua
morbidez
Mas nada que até as crianças,não  achassem
 graça,
E, o poeta nas madrugadas, acreditasse
Era primeiro de abril. e poeta sonhando nem
viu

sulla fagundes



Miracolo d'amore



Tu me dizes que ela virá,
que me amará, mas quando?
Tu o vês, somente tu,
com teus olhos somente,
e não sabes nem tu,
nem tu onde ela está.
No silencio da noite
uma voz me dirá:
L'amore è un romantico blues
un blues che fa morire il mio cuore

è festa per me,
invece di dormire io vado a passeggiare
da solo

Non ho mai capito
non sapevo che,
che tu è un miracolo d'amore

Pietra & Sulla


Lutando pela vida
Não pela sua arte
Pela arte de viver
Dela como folego
Como existir, ainda
na competição ...


Lutando pela vida
Seguir sangrando em batalhas
Lutando para continuar lutando
Continuar no páreo
Pela dignidade de estar vivo
Contemplar seus meandros e
e propósitos...
Não vê-la grafitada
Lutando por ela colorida
No vermelho das causas antigas
Vermelho que trafega nas veias
Lutando pela vida, nela as histórias
que fiz aqui
Onde o juízo ainda não pereceu
Onde os homens ainda escrevem,
e as mulheres fingem que bordam




sulla fagundes