sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Eliana Melo


JOÃO BOSCO - ESCADAS DA PENHA ( POR DENTRO DO CRIME )




Composição: João Bosco Aldir Blanc

Nas escadas da Penha
Penou no cotoco de vela
Velou a doideira da chama
Chamou o seu anjo-de-guarda
Guardou o remorso num canto
Cantou a mentira da nega
Negou o ciúme que mata
Matou o amigo de ala.
Tá lá
Tá lá o valete
No meio das cartas
No jogo dos búzios,
Tá lá no risco da pemba,
No giro da pomba,
No som do atabaque,
Tá lá.
E tá no cigarro, no copo de cana
Na roda de samba, tá lá
Nos olhos da nega na faca do crime
No caco do espelho no gol do seu time...
Tá lá o amigo de ala
O amigo de ala
Matou o ciúme que mata
Negou a mentira da nêga
Cantou o remorso num canto
Guardou o seu anjo-de-guarda
Chamou a doideira da chama
Velou no cotoco da vela
Penou nas Escadas da Penha

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

O BICHO HOMEM - música de Raimundo Fagner sobre poema de Francisco Carvalho



O BICHO HOMEM


Que bicho é o homem
de onde ele veio
para onde vai?
Onde é que entra
de onde é que sai?

Que raio lhe acende
a chama da fúria?
O que é que sobra
da cesta básica
de sua penúria?

Que bicho é o homem
do que se enfeita?
Que mão o ampara
no chão de enigmas
em que se deita?

Que bicho é o homem
que mama no seio
da reminiscência?
E que embala a morte
em seu devaneio?

Que bicho é esse
que carrega o fardo
de uma dor medonha?
Que sucumbe ao charco
mas ainda sonha?

Que bicho vagueia
na treva hedionda?
Que pantera esguia
será mais veloz
do que a própria sombra?

O homem que tece
as malhas da lei.
Que bicho é o homem
que transforma em pêssegos
as fezes do rei?

Que bicho é o homem
que ama e desama
que afaga e magoa?
E que às vezes lembra
um anjo em pessoa?

O homem que vai
para a eternidade
num saco de lixo.
Que bicho é o homem
de salário fixo?

Que bicho é o homem
que trapaceia?
Que às vezes pensa
Que é mais brilhante
do que a papa-ceia?

Que bicho é esse
que escreve as vogais
das cinzas do pai?
-- De onde ele veio
e para onde vai?

Que bicho é o homem
que se interroga?
léguas de volúpia
sonhos e utopias
tudo se evapora?

Que bicho é o homem
de argila e colostro
que lavra e semeia?
mas só colhe insônias
em lavoura alheia?

Os rastros do homem
no vento ou na água
são rastros de fera.
Mas que bicho é esse
que se dilacera?

O homem suplica
os deuses concedem.
Que bicho é o homem
que sempre regressa
às praias do Éden?

Que bicho é o homem
que escreve poemas
na aurora agônica
e depois acende
a fogueira atômica?

Que bicho te oferta
um ramo de rimas
e à sombra dos mortos
semeia gemidos
por sete Hiroximas?

Que bicho te espreita
aos olhos dos becos
onde os cães insones
mastigam as sombras
dos antigos donos?

Que bicho é o homem
que rasteja e voa
que se ergue e cai?
-- De onde ele veio
e para onde vai?

Que bicho é o homem
de onde ele veio
e para onde vai?
Onde é que entra
de onde é que sai?


FRANCISCO CARVALHO


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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Sulla Fagundes-Poesia em versos-música -Non je n'ai rien oublie-Charles ...




POESIA EM VERSOS

Festa das luzes, rubor dos amantes
Fescor do poeta em luas delirantes
Alegorias, amargas, acabou o caraval
Chovia em toda poesia era ventaval

As noites dos amantes, se fez derradeira
A sublime lira, o amor tão esperado, faísca
de fogo na palha
Era de vidro o cristal, era brincadeira, fim
 de carnaval

Foi-se de repente, a lua dos errantes
Chove hoje o poeta, mocho, de tanta poesia se
 fez alegoria
Em sua estrada, nem ao menos a lira, que
entorpecia

Cavando em delitos um verso, dormente, que
se faça presente, que o salve ante o poente
Lá se vai o cortejo entre cochichos amargos
Ele, enamorado, e ela a donzela esquecida de
 tudo, que marcara naquele tumultuo
Ele louco e surdo em pinceladas, suplica á
 madrugada que traga,ao menos o vulto,de sua
bem amada



Lá segue o poeta de mágoas. ensopado. seus
dias alados
Ao lado um poema , a única poesia, a qual o desafia
furtivamente,o reviveria
Ele mesmo,  inventara em sua jornada, o mel
 amargoso daquele final


sulla fagundes

10-10- 2012

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Sulla Fagundes-poema- Inventivo - música -A casa de Irene.Nico Fidenco



Inventivo

Mas como acreditar  na  tua noite?
Se é escura tua alma
Não posso  lavar os lençóis sujos
de vinho

Mancha  difícil de desbotar, me resta
um chá inglês
Um charuto francês  após o vernissage

Se os muros tem cacos, não os coloquei
Te guardar nos olhos?
Sim posso reter mais esta imagem
Desertos o  país que abraças
E, o céu falta no lugar , descreves em
versos essa dor

Mas o que tenho eu, que ir abrigar-te
Se posso oferecer-te risos?
Sim, te digo, pegue leve um pouco nesta
manhã
Mas cálida, pálida, e rosa minha seiva ...
não...

Sou rúbia , vermelha,  ardente  difícil
o tragar o apimentado
Saga de poeta,  livre assim sou eu
Se teus dias  são cinzas  os  vês  assim
Compre um tanto de giz,  colorido,faça-o  
numa tela.
E,  ao menos,  o sonhe

sulla fagundes



Inventivo